Pessoas em reunião profissional ao redor de mesa com notebook, discutindo projeto

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Serviços · 23 de junho de 2026 · 12 min de leitura

Como calcular preço de serviço (consultor, freelancer, prestador): guia MEI 2026

Por Equipe Goothy

O freelancer médio cobra R$ 50/hora, trabalha 10 horas por dia, fatura R$ 5.000 no mês e fica achando que é "uma boa renda". Quando soma o tempo gasto em proposta gratuita, ajuste fora do escopo, reunião que não fechou e domingo respondendo cliente — o valor real da hora dele é R$ 22. Esse guia mostra a conta correta pra quem cobra por hora, por projeto ou por mensalidade.

O erro fundamental: confundir hora trabalhada com hora faturada

Quem é CLT trabalha 8h e recebe por 8h. Quem é prestador trabalha 10h e recebe por 4-5h. As outras 5-6 horas são:

Tudo isso é tempo gasto que não vira fatura. Em média, prestador de serviço só consegue faturar 40-60% das horas trabalhadas. Se você trabalha 176h/mês (8h × 22 dias), só 70-100h viram dinheiro. O resto é overhead invisível.

Pessoa trabalhando em notebook em ambiente de home office Foto: Unsplash

A fórmula da hora real (não a hora "que parece")

Pra descobrir quanto sua hora REALMENTE vale, faz a conta de trás pra frente:

  1. Define o salário líquido que você quer tirar por mês. Ex: R$ 6.000.
  2. Adiciona 40% pra férias, 13º, FGTS, INSS futuro (que CLT recebe e você não). R$ 6.000 + 40% = R$ 8.400 brutos por mês.
  3. Soma todos os custos do mês: ferramentas (Adobe, Notion, Canva, Figma — R$ 200-500), contador (R$ 150), internet/celular profissional (R$ 200), curso/atualização (R$ 200), marketing/anúncio (R$ 200-500). Custo típico: R$ 1.500/mês.
  4. Reserva pra imposto MEI (6% sobre o faturamento) — vai depender do total, mas conte ~R$ 600 se você faturar R$ 10.000.
  5. Custo total mensal: R$ 8.400 + R$ 1.500 + R$ 600 = R$ 10.500
  6. Divide pelas horas faturáveis reais (70-100h por mês). Vamos usar 80h.

Resultado: valor mínimo da sua hora

R$ 10.500 ÷ 80h = R$ 131,25/hora
R$ 131 — esse é o piso. Cobrar menos = trabalhar de graça.

"Mas R$ 131 a hora? Tô doido?". Não. Esse é o valor que te paga o salário líquido de R$ 6.000 e cobre seus custos. Cobrando menos, você tá subsidiando o cliente com seu próprio bolso.

Hora vs Projeto vs Mensalidade: qual modelo escolher

Modelo Quando usar Risco
Por hora Manutenção, ajustes, consultoria pontual, cliente novo (você ainda não sabe o escopo) Cliente lento te penaliza. Você fica bom = ganha menos.
Por projeto Entrega clara (logo, site, plano de mídia, contrato fechado, app) Escopo creep — cliente pede "só mais isso". Precisa contrato com escopo definido.
Mensalidade (recorrência) Serviço continuado: social media, contabilidade, manutenção site, consultoria mensal, design recorrente Demora pra fechar cliente, mas fluxo de caixa estável depois.

Regra prática:

Exemplo real: Rafael, designer freelancer em SP

Rafael é designer há 3 anos. Cobrava R$ 60/hora e R$ 800 por logotipo. Achava que ganhava bem porque "no fim do mês tinha R$ 6.000 entrando". Não fazia controle dos custos nem do tempo improdutivo.

Designer trabalhando em laptop com calendário e materiais de design Foto: Unsplash

Antes (sem cálculo real)

Faturamento: R$ 6.000 (5 logos a R$ 800 + 10h consultoria a R$ 60)

Horas trabalhadas: 180h/mês (de fato, contando proposta + ajuste + reunião)

Horas faturadas: ~75h

Ferramentas e contador: R$ 1.500

Imposto MEI (6%): R$ 360

Sobra real: R$ 6.000 − R$ 1.500 − R$ 360 = R$ 4.140

R$ 4.140 pra 180h = R$ 23/hora real

Rafael trabalhava o equivalente a 1 CLT e meio (180h) e ganhava o equivalente a um caixa de supermercado. R$ 23 a hora de verdade — e isso sem férias, 13º ou plano de saúde.

Depois (com cálculo correto)

Rafael recalculou: salário desejado R$ 8.000 líquido + 40% benefícios + custos R$ 1.500 + reserva imposto = R$ 13.000 brutos necessários.

Dividiu por 75h faturáveis: R$ 173/hora mínimo.

Migrou pra projetos com escopo fechado:

• Logo + identidade básica: R$ 2.500 (era R$ 800)

• Site institucional 5 páginas: R$ 4.500

• Social media (12 posts/mês recorrente): R$ 1.800/mês

Faturamento: R$ 11.800 (mesmo número de horas)

Custos + imposto: R$ 2.200

Sobra real: R$ 9.600/mês

+R$ 5.460/mês pra 0% a mais de trabalho

Rafael perdeu 2 clientes que reclamaram do preço. Ganhou 3 novos por indicação ("o Rafael cobra mais caro porque é bom"). Em 3 meses recuperou o que perdia em prejuízo nos últimos 3 anos.

Erros mais comuns que custam carreira

Quando aumentar o preço

Regra de ouro

Avisa cliente recorrente com 30-60 dias de antecedência: "A partir de [mês], meu valor passa pra R$ X". 80% aceita sem questionar. Os 20% que reclamam são os que não te valorizavam — bom desfazer.

Resumo: 4 coisas pra levar daqui